quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Atalhos...


Domingo passado estava tomando meu amargo da tradição e sem planos para sair. Mas como estava ameaçando tempo bom, cutuquei a Frau: 

- Vamos sair...
- Vamos sim, mas onde?

Enton começamos a pesquisar e o local escolhido foi o Parque da Ferradura, em Canela. Abrindo parênteses, a maioria dos nossos passeios são assim, decididos de última hora.

Enfim, colocamos o endereço no GPS e pé na estrada. Como a ERS 115 estava bloqueada, fomos via São Francisco de Paula. Quando chegamos na entrada de Canela, o GPS indicou um “atalho” para chegar no parque. Parei o carro e a intuição dizia que não era aquele o caminho. Segui adiante na rodovia e o GPS começou a recalcular a rota, insistindo no tal atalho. Fiz o retorno e se a “mulher” dentro do celular diz que é para ir por ali, vamos né. E fui. E era estrada de chão. E a medida que a gente ia andando a estrada ia piorando. Em um ponto “ela” mandou virar à esquerda na tal estrada. 

Olhei pra Juliana e perguntei: “tem certeza? ”. A tal estrada, que já estava ruim ficou pior. Era uma descida meio íngreme, cheio de pedras soltas. Pedras grandes, por sinal e algumas valetas. Então né... se é esse o caminho vamos. Com um pouco de medo encarei a descida e a estrada só piorava. Alguns metros adiante uma poça de água enoooorme, maior que o pescoço de uma girafa. Ah não, ali o carro não passa. Desci e fui avaliar, andei um pouco a pé e a “mulher” do GPS dizia que ainda faltavam 7 km pela tal estrada. Mas nem f******. 

Estávamos no meio do nada, sem uma viva alma por perto, sem sinal de celular e cercados por pinheiros, mato e pedras. Vamos voltar! E aí bateu o desespero. Como subir aquela lomba de pedras soltas? E as valetas? Fechei o olho e fui com fé. E deu certo. E eu só não me borrei todo porque ainda não estava na hora. Foi tenso.

Voltamos para a rodovia e seguimos rumo ao centro de Canela, pelo caminho tradicional. 

O parque é bem legal, com várias trilhas “suaves”. Uma delas, segundo a placa, tem a duração de 58 minutos. Vamos? Fomos e desistimos no meio do caminho. Era íngreme e os véios já estavam cansados, pensando em como seria a volta. 

Valeu o passeio e ficou a lição de que nem todo atalho vale a pena. E isso vale para tudo, nem sempre o caminho mais curto é o mais indicado.

“O diabo desta vida é que, entre cem caminhos, temos que escolher apenas um e viver com a nostalgia dos outros noventa e nove. ” (André Gide) 

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Generosidade

Acordei no sábado passado com uma certa preguiça. Sabe aqueles dias em que tu levanta da cama e não quer fazer nada, nadinha mesmo? Enton, sábado foi assim. Vim para meu “escritório”, liguei o computador, coloquei uns seriados para baixar, li umas notícias, olhei para o Barukinho, que deitado no arranhador me observava, com certa nostalgia no olhar: “E agora José”? “Não sei, diz tu” teria dito ele, se soubesse falar ou se tivesse interessado naquilo que eu iria fazer a seguir.

Peguei o pendrive do carro e comecei a dar uma renovada nas músicas. E enquanto classificava o que deveria continuar e o que deveria ser apagado, escolhi uma playlist randon no YouTube, com umas velharias dos anos 80. Só coisa boa: A-ha, Usa For África, Cindy Lauper, Lionel Ritchie, Erasure, The Eagles, Scorpions entre outros.

Walk Like an Egyptian – Bangles, essa música tem história. Na verdade não é nada demais. Cresci ouvindo esta música, gostando dela sem jamais saber o nome ou quem cantava. Por isso nunca tive ela gravada em uma fita cassete. Só ouvia esporadicamente quando tocava em alguma rádio. Os anos se passaram e o refrão da música ficou na memória. Até que um dia eu tive acesso ao Napster e seus derivados. Putz, tinha que conseguir essa música. Mas como, se eu não sabia o nome nem quem canta. O Google sabe tudo, mas precisa de uma ajudinha. Foi então que tive a brilhante ideia de gravar um vídeo assoviando refrão e colocar no YouTube. Aí coloquei o link em uma comunidade no Orkut perguntando quem cantava. Não demorou muito para um monte de gente responder a postagem com a informação que eu queria. Alguns até colocaram links para baixar o mp3.

Cool. Bacana mesmo. É sobre esse tipo de ajuda que quero falar. Aquela em que as pessoas o fazem por pura boa vontade, sem esperar nada em troca. Na elaboração do meu TCC pesquisei em muitos fóruns e chamou atenção a quantidade de pessoas que ajudam as outras, desde coisas simples até com códigos mais complexos, coisas que demandam tempo e reflexão. Pessoas anônimas que devem ter ficado horas para tentar resolver um problema que não era seu e sim de uma pessoa desconhecida, que não significava nada e não faria diferença alguma em sua vida. Simplesmente ajudar por ajudar.

No meu trabalho é a mesma coisa. Tenho muitas dúvidas de programação e quando peço ajuda dá pra perceber que as pessoas me auxiliam com a maior boa vontade. E isso no horário de descanso, ao meio dia.

Mas até hoje o que mais marcou para mim foram as atitudes do Ayrton Senna. Uma em particular: em 1992, durante um treino de Fórmula 1, o piloto Érik Comas sofreu um acidente grave e o Senna parou o carro para socorrer o cidadão. Poderia muito bem ter seguido em frente (como muitos fizeram), afinal de contas nem era problema dele né. Mas não, foi ajudar um colega de profissão, de certa forma um desconhecido.

E são esses pequenos gestos que contam e que fazem diferença em nosso dia-a-dia. Bacana que existam pessoas assim, faz com que ainda tenha uma pontinha de fé na humanidade, apesar de tantas barbaridades ocorrendo ao redor.

Ah, outro dia, arrumando meus arquivos, encontrei a tal gravação que fiz com meu assovio. Lógico, deletei na hora.

Vídeo de homenagem da Allianz aos 55 anos do Ayrton Senna.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

O tempo passou e me formei em solidão

     Sou do tempo em que ainda se faziam visitas. Lembro-me de minha mãe mandando a gente caprichar no banho porque a família toda iria visitar algum conhecido. Íamos todos juntos, família grande, todo mundo a pé. Geralmente, à noite.

      Ninguém avisava nada, o costume era chegar de paraquedas mesmo. E os donos da casa recebiam alegres a visita. Aos poucos, os moradores iam se apresentando, um por um.

      – Olha o compadre aqui, garoto! Cumprimenta a comadre.

      E o garoto apertava a mão do meu pai, da minha mãe, a minha mão e a mão dos meus irmãos. Aí chegava outro menino. Repetia-se toda a diplomacia.

      – Mas vamos nos assentar, gente. Que surpresa agradável!

       A conversa rolava solta na sala. Meu pai conversando com o compadre e minha mãe de papo com a comadre. Eu e meus irmãos ficávamos assentados todos num mesmo sofá, entreolhando-nos e olhando a casa do tal compadre. Retratos na parede, duas imagens de santos numa cantoneira, flores na mesinha de centro... casa singela e acolhedora. A nossa também era assim.

       Também eram assim as visitas, singelas e acolhedoras. Tão acolhedoras que era também costume servir um bom café aos visitantes. Como um anjo benfazejo, surgia alguém lá da cozinha – geralmente uma das filhas – e dizia:

      – Gente, vem aqui pra dentro que o café está na mesa.

       Tratava-se de uma metonímia gastronômica. O café era apenas uma parte: pães, bolo, broas, queijo fresco, manteiga, biscoitos, leite... tudo sobre a mesa.

       Juntava todo mundo e as piadas pipocavam. As gargalhadas também. Pra que televisão? Pra que rua? Pra que droga? A vida estava ali, no riso, no café, na conversa, no abraço, na esperança... Era a vida respingando eternidade nos momentos que acabam.... era a vida transbordando simplicidade, alegria e amizade...

       Quando saíamos, os donos da casa ficavam à porta até que virássemos a esquina. Ainda nos acenávamos. E voltávamos para casa, caminhada muitas vezes longa, sem carro, mas com o coração aquecido pela ternura e pela acolhida. Era assim também lá em casa. Recebíamos as visitas com o coração em festa.. A mesma alegria se repetia. Quando iam embora, também ficávamos, a família toda, à porta. Olhávamos, olhávamos... até que sumissem no horizonte da noite.

       O tempo passou e me formei em solidão. Tive bons professores: televisão, vídeo, DVD, e-mail... Cada um na sua e ninguém na de ninguém. Não se recebe mais em casa. Agora a gente combina encontros com os amigos fora de casa:

      – Vamos marcar uma saída!... – ninguém quer entrar mais.

       Assim, as casas vão se transformando em túmulos sem epitáfios, que escondem mortos anônimos e possibilidades enterradas. Cemitério urbano, onde perambulam zumbis e fantasmas mais assustados que assustadores.

       Casas trancadas.. Pra que abrir? O ladrão pode entrar e roubar a lembrança do café, dos pães, do bolo, das broas, do queijo fresco, da manteiga, dos biscoitos do leite...

       Que saudade do compadre e da comadre!

 

José Antônio Oliveira de Resende.

Professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura, da Universidade Federal de São João del-Rei.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Depilação - versão masculina

Estava eu assistindo TV numa tarde de domingo, naquele horário em que não se pode inventar nada o que fazer, pois no outro dia é segunda-feira, quando minha esposa deitou ao meu lado e ficou brincando com minhas "partes".

Após alguns minutos ela veio com a seguinte ideia: por que não depilamos seus ovinhos, assim eu poderia fazer "outras coisas" com eles.

Aquela frase foi igual um sino na minha cabeça.

Por alguns segundos fiquei imaginando o que seriam "outras coisas". Respondi que não, que doeria coisa e tal, mas ela veio com argumentos sobre as novas técnicas de depilação e eu não tive mais como negar. Concordei.

Ela me pediu que ficasse pelado enquanto buscaria os equipamentos necessários para tal feito. Fiquei olhando para TV, porém minha mente estava vagando pelas novas sensações e só acordei quando escutei o beep do microondas.

Ela voltou ao quarto com um pote de cera, uma espátula e alguns pedaços de plástico. Achei meio estranho aqueles equipamentos, mas ela estava com um ar de "dona da situação" que deixaria qualquer médico urologista sentindo-se como residente.

Fiquei tranqüilo e autorizei o restante do processo.

Pediu para que eu ficasse numa posição de quase-frango-assado e liberasse o aceso à zona do agrião.

Pegou meus ovinhos como quem pega duas bolinhas de porcelana e começou a passar cera morna. Achei aquela sensação maravilhosa!!

O Sr. Pinto já estava todo "pimpão" como quem diz: "sou o próximo da fila!!"

Pelo início, fiquei imaginando quais seriam as "outras coisas" que viriam.

Após estarem completamente besuntados de cera, ela embrulhou ambos no plástico com tanto cuidado que eu achei que iria levá-los para viajem.

Fiquei imaginando onde ela teria aprendido essa técnica de prazer: Na Thailândia, na China ou pela Internet mesmo.

Porém, alguns segundos depois ela esticou o saquinho para um lado e deu um puxão repentino.

Todas as novas sensações foram trocadas por um sonoro PUTAQUEOPARIU quase falado letra por letra.

Olhei para o plástico para ver se o couro do meu saco não tinha ficado grudado na cera.

Ela disse que ainda restaram alguns pelinhos, e que precisava passar de novo.

Respondi prontamente: Se depender de mim eles vão ficar aí para a eternidade!!

Segurei o Dr. Esquerdo e o Dr. Direito em minhas respectivas mãos, como quem segura os últimos ovos da mais bela ave amazônica em extinção, e fui para o banheiro.

Sentia o coração bater nos ovos. Abri o chuveiro e foi a primeira vez que eu molho o saco antes de molhar a cabeça. Passei alguns minutos só deixando a água escorrer pelo meu corpo.

Saí do banho, mas nesses momentos de dor qualquer homem vira um bebezinho novo: faz merda atrás de merda.

Peguei meu gel pós barba com camomila "que acalma a pele", enchi as mãos e passei nos ovos.

Foi como se tivesse passado molho de pimenta.

Sentei na privada, peguei a toalha de rosto e fiquei abanando os ovos como quem abana um boxeador no 10° round. Olhei para meu pinto. Ele era tão alegrinho minutos atrás, estava tão pequeno que mais parecia que eu tinha saído de uma piscina 5 graus abaixo de zero.

Nesse momento minha esposa bate na porta do banheiro e perguntou o que estava acontecendo. Aquela voz antes aveludada ficou igual um carrasco mandando eu entregar o presidente da revolução.

Saí do banheiro e voltei para o quarto. Ela estava argumentado que os pelos tinham saído pelas raízes, que demorariam voltar a nascer.

"Pela espessura da pele do meu saco, meus netos irão nascer sem pelos nos ovos", respondi.

Ela pediu para olhar como estavam. Eu falei para olhar com meio metro de distância e sem tocar em nada!!

Vesti a camiseta e fui dormir (somente de camiseta). Naquele momento sexo para mim seria somente para perpetuar a espécie humana.

No outro dia pela manhã fui me arrumar para ir trabalhar. Os ovos estavam mais calmos, porém mais vermelhos que tomates maduros.

Foi estranho sentir o vento bater em lugares nunca antes visitados. Tentei colocar a cueca, mas nada feito. Procurei alguma cueca de veludo e nada. Vesti a calça mais folgada que achei no armário e fui trabalhar sem cueca mesmo.

Entrei na minha seção andando igual um cowboy cagado. Falei bom dia para todos, mas sem olhar nos olhos.

E passei o dia inteiro trabalhando em pé com receio de encostar os tomates maduros em qualquer superfície.

Resultado, certas coisas devem ser feitas somente pelas mulheres. Não adianta tentar misturar os universos masculino e feminino.

(Autor desconhecido)

domingo, 14 de setembro de 2014

O futebol e suas barbaridades

Bah, ando meio desiludido com o futebol. Há tempos tenho esse sentimento e isso já aconteceu em relação a Fórmula 1. Antigamente levantava cedo só para ver o Ayrton Senna correr. Era o meu ídolo. Não só pela superação e pelas vitórias, mas pelo seu caráter e lisura em todas as corridas. Abria mão de artifícios duvidosos, como o Dick Vigarista (vulgo Schumacher) e ganhava as corridas pelos seus próprios méritos. Mas enfim, são outras circunstâncias.

Voltando ao futebol, é tanta barbaridade acontecendo que nem sei por onde começar. Até acho que sei, começa com as torcidas, principalmente com as que se dizem “organizadas” (organizadas para promoverem a desordem, diga-se de passagem).  O meu Grêmio foi duramente punido por conta de meia dúzia de pessoas que fizeram aquilo que ocorre em quase todos os estádios: xingamentos diversos, com cunho racistas, homofóbicos e por aí vai. A guria que está sendo o centro as atenções e bode expiatório deu o azar de ter sido filmada. Lógico que ela está errada e tem que responder por isso. Mas e o Grêmio, merece ser duramente punido por isso? Durante o julgamento tinha auditor dormindo e outro acompanhando o Facebook enquanto a defesa do Grêmio se manifestava. E isso sem contar que um dos auditores foi tão ou mais racista que a tal guria que chamou o goleiro do Santos de macaco. E é aí que quero chegar: o julgamento e a pena foram uma farsa, já estava decidido antes mesmo de começar. Pura politicagem. E assim tem sido nos últimos anos. Vai ver que sempre foi assim e só agora que as sujeiras começaram a aparecer. E esse foi apenas um dos muitos podres que mancham o futebol. É compra de juízes, jogos mal anulados, tribunais e suas manipulações…

Mas apesar disso tudo, ainda estou mais triste com os torcedores. Tenho a impressão que as pessoas estão mais ignorantes e intolerantes. Torcidas de times opostos não convivem mais tão pacificamente. Cresci assistindo GreNais com as duas torcidas divididas meio-a-meio e era tudo festa. Ao final da partida todo mundo ia embora e aceitavam as flautas numa boa. Hoje tu mal pode brincar que a pessoa já vem te xingando ou citando fatos distorcidos e generalizados. Decidi que não vou mais tocar flauta. Perdeu a graça. Se é para as pessoas ficarem nervosas, ofendidas e sair falando bobagem, o melhor a fazer é ficar quieto no meu canto. Pior que são pessoas normais, que no dia-a-dia tocam sua vida numa boa, mas que se transformam quando o assunto é futebol. Algumas foram devidamente bloqueadas e excluídas de minha rede social, tamanha foram as ofensas ao postar no meu perfil uma brincadeira inocente. Ah pára, vão se tratar.

Por essas e outras recolher-me-ei à minha insignificância e vou passar a evitar tais comentários. É triste, mas é a vida.

sábado, 3 de maio de 2014

Recordar é viver

Estava eu confortavelmente sentado na minha cadeira do papai (ô beleza!) assistindo mais um episódio de O Aprendiz Celebridades quando a Juliana pediu uma pausa para ir dar “mamadeira” para os gatinhos. Aí abri o YouTube e, para passar o tempo, pesquisei vídeos do Kid Vinil, um dos participantes. Cara, foi uma viagem no tempo, do Kid Vinil (vídeo) pulei para Biafra, depois Ritchie, Zero, Metrô… Eu cresci ouvindo essas músicas e lendo sobre os artistas na revista Bizz. Show de bola.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Comercial do Super Bowl 2014

amor-entre-cachorro-e-cavalo

Este comercial foi exibido em um jogo do Super Bowl 2014, nos Estados Unidos e achei simplesmente tocante. A cena do labrador olhando pelo vidro do carro me deixou com os olhos cheios de lágrimas. Vale conferir.

domingo, 1 de dezembro de 2013

E o viajar já é mais que a viagem

Responda rápido: quando tu faz uma viagem, seja de carro, ônibus ou carona e sem muito planejamento, quais são as lembranças mais marcantes? Aquelas que arrancam um sorriso ao relembrar e faz brotar o sentimento que a viagem valeu a pena (ou não). É o destino final ou os percalços da viagem? Ao narrar a “epopeia” aos eventuais ouvintes, o que ganha mais destaque? E este exercício não se aplica somente às viagens, pode muito bem ser em relação a leitura de um livro, um filme, seriado, um show e por aí vai.

Tempos atrás, em uma roda de amigos, estávamos conversando sobre o “seriado da redoma” e uma criatura comentou que havia baixado o livro e outra já manifestou o interesse em pular para o final do livro para saber como iria terminar ou simplesmente esclarecer alguns mistérios. Putz, qual é a graça nisso? Quando eu me proponho a ler um livro, saboreio cada página, imaginando o cenário, a fisionomia das pessoas e tudo mais que envolve a fantasia da leitura. E isto é tão ou mais importante que as últimas páginas do livro. É a leitura em si que dá o prazer e o final é apenas uma consequência, um encerramento. Mas voltando ao seriado, o legal de assistir os episódios é o mistério em si, mesmo que seja um pouco enrolado. Às vezes o final não é bem aquele que esperamos (Lost é um exemplo, na minha opinião), mas tem episódios que fazem valer a pena.

E isto remete a frase do Herbert Viana que, por sinal, intitula esta postagem: “e o viajar já é mais do que a viagem”. Ou seja, na minha opinião uma viagem não se resume em ir do ponto A ao ponto B ou ou aproveitar o  divertimento planejado. Não sou uma pessoa viajada, mas trago comigo algumas recordações, “que não sei se são troféus ou fardos” (¿quem vai saber?) mas que muitas vezes ganham mais destaque que o destino em si. Algumas dessas viagens fiz de carona. Sim, isso mesmo, fui para a BR, com o dedão em riste e vamos lá. E foi uma experiência ímpar, conheci pessoas bacanas, com outras vivências e realidade e só isso já fez valer a viagem. Fui de Ijuí à São Borja em uma boleia de caminhão e voltei em uma camionete de um argentino e fui de Ijuí à Porto Alegre com um caminhoneiro que desviou parte de seu trajeto só para nos deixar em um local mais seguro e por aí vai. Isso não tem dinheiro que pague e não trocaria estas viagens de carona por uma mais confortável em um ônibus leito. Outra viagem que marcou muito foi um show dos Engenheiros do Hawaii que vi em São Paulo: um bando de fanáticos amontoados em uma topic em mais de 40 horas (juntando a ida e a Frida) para acompanhar a gravação do disco ao vivo. O show foi muito legal, mas a viagem em si também foi, apesar do cansaço.

E é isso, o que importa é curtir cada momento e comer os morangos da vida.
Carpe Diem!

Esta Tarde – Os Paralamas do Sucesso

Alguma invenção
Que faça o tempo parar esta tarde
Quando se for o sol
Que a luz desse dia nunca acabe
Esteja sempre perto, sempre longe dos covardes
O errado e o certo, pra ter raiva e ter piedade
Arcos de toda cor vão escrever teu nome
Na paisagem
Te levo pela mão
E o viajar já é mais que a viagem

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Se a vingança apagasse a dor que eu senti

Dos Margaritas–Os Paralamas do Sucesso

Sabe aqueles dias em que o tempo voa e tu nem percebe? E tu sai do trabalho e a correria continua: tomar um banho tcheco tcheco, uns goles de café, duas ou três mordidas no pão e ir correndo para a faculdade?! Dei um beijo na Frida e saí, com certa pressa, para não me atrasar para aula. Entrei no carro e falei para meu amigo imaginário: "cara, tô precisando ouvir uma música e dar uma relaxada". Enton coloquei um cd dos Paralamas do Sucesso - Severino.

Perfeito. Fui cantarolando todas as músicas até chegar na Feevale e isso acalmou a alma e deu uma carga na bateria (60%, mas em pé!).

Esse disco tem história. Foi o primeiro cd que comprei, nos idos anos 90. “Grande coisa”, alguém deve estar pensando. Mas só quem viveu aquela época sabe do que estou falando. Tá bom, vou desenhar: naquela época tocadores de cd ainda eram novidade, mal tinham chegado no Brasil e o aparelho não custava barato.

Mas o tal cd estava em promoção nas lojas Americanas, em Porto Alegre: "só" 10 pila. E no auge da minha empolgação indiquei o disco para uma amiga, e ela foi lá e comprou também. E quase me bateu depois. Só não me jogou o disco na cabeça porque eu estava em Ijuí e ela em Porto Alegre. Mas sério, eu gostei. Tanto é que ouço ele até hoje. Sei lá, tem uma certa musicalidade que me atrai e as letras são inteligentes. Ainda não entendo porque a Michelle não gostou.

Rio Severino–Os Paralamas do Sucesso

terça-feira, 10 de setembro de 2013

A música já não toca mais como antes

Capa-Insular1

Semanas atrás comprei, pela Internet, o novo cd do Humberto Gessinger – Insular. Era a pré-venda do disco, o qual viria acompanhado de um pôster e autógrafo personalizado (só que não). O tempo passou e, diferente daquele tempo, não fiquei ansioso e meio que esqueci que havia comprado.

E hoje, quando cheguei para o almoço, a Frida comentou que havia uma carta registrada. Como ela já foi adiantando que não era multa, enton imaginei que fosse o tal cd. Almocei, escovei os dentes, brinquei um pouco com os gatinhos  e, só lembrei da tal carta porque fui conferir o status de um download. Não havia criado expectativas, mas meio que me decepcionei quando abri, pois o tal pôster era na verdade um cartazinho e o tal autógrafo personalizado ficou no vácuo. Mas enfim, no final das contas dei um leve suspiro e… fazer o que né?

Fosse no tempo em que eu era tri fã dos Engenheiros do Hawaii o sentimento seria outro. Naquele tempo eu contava os dias para a chegada de um disco novo, a ponto de ir praticamente todos os dias na loja perguntar se já havia chegado. E quando comprava, ia literalmente correndo para casa e ouvia música por música, “com os ouvidos limpos”. Os fortes entenderão! hehe. Mas entenda-se por ouvidos limpos ouvir as canções com atenção, acompanhando as músicas com o encarte nas mãos e saboreando as palavras que  estavam sendo transmitidas em cada letra como se fossem as últimas. Ah, e tinha toda a arte na capa, nos bolachões e encarte.

“Tudo muda ao teu redor, o que era certo, sólido
dissolve, desaba, dilui, desmancha no ar…”

Não estou desdenhando a obra do Humberto só porque o autógrafo não veio. O que estou querendo dizer é que tanto faz como fez. Ouvi parte no carro, no caminho nosso de cada dia das idas e vindas do trabalho, e li sim o encarte, mesmo que na corrida. E, num primeiro momento, gostei. Mas já não é mais como era antes, algo se perdeu pelo caminho e só ficou a lembrança do romantismo de outrora.

domingo, 18 de agosto de 2013

Nas manhãs de domingo

Era um domingo como outro qualquer. Limpei as caixinhas de areia dos gatos, cevei o amargo da tradição, liguei a TV para assistir Pequenas Empresas & Grandes Negócios e o Globo Rural (já falei disso, lembra?) e, enquanto aguardava alguns downloads, fiquei espiando algumas postagem da minha linha do tempo no Facebook. Já há alguns dias que eu só espiava se tinha algum recado e nada más. Mas hoje dei uma olhada com mais calma no que os outros viventes estavam postando. E uma postagem me chamou a atenção: a criatura escreveu que estava digitando com as mão molhadas, pois estava lavando a louça. Santa ingenuidade. Ou seria santo vício? Lembrei agora de outro amigo viciado, o cara chegou ao ponto de ter duas linhas telefônicas, caso uma falhasse.

Nada contra (nem a favor, muito pelo contrário), mas o que esse tal de Facebook tem de tão bom que algumas pessoas não conseguem ficar longe? Ah, mas geralmente tu está on line. Sim, baixei o aplicativo de bate-papo, caso a frida queira falar comigo hehe. Mas sério, não sou insensível, eu entendo estas pessoas e suas necessidades. Há tempos atrás eu também não conseguia ficar desconectado, mas foi apenas uma fase, onde tudo era novidade e a Internet ainda engatinhava no Brasil e a tal Banda Larga não era tão larga assim e as redes sociais eram as trocas de e-mail. Na verdade a conexão era discada. Ainda lembro do som do modem e da agonia em esperar a meia-noite ou as 14:00 dos sábados para conectar  e pagar apenas um pulso. Era ruim mas era bom. Putz, era o que tinha. E ficava feliz da vida quando conseguia baixar um MP3 a 3 kb, pelo Napster.

hotdownloadMas voltando à realidade, não me sinto refém das redes sociais ou do computador. Posso muito bem viver sem ou ficar desconectado. Mas tenho sim meus vícios, basta falar a palavra download ou programação que as mãos começam a tremer… hehe. Ah, e tem o chimarrão nosso de cada dia. Mas algumas pessoas exageram. Faça o teste, observe as pessoas em um restaurante, na pizzaria ou no raio que o parta: irás ver várias pessoas com o celular postando que está fazendo, de onde vem, para onde vai… Tristes tempos os nossos.

I’m sorry, tive que dar uma pausa para iniciar mais um download. E agora que a casa acordou, vou arrumar o portão, limpar o carro e organizar a garagem, pois há vida fora da Internet.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

E agora, José?

Em uma fria manhã do final do mês de julho, estava eu comendo o sucrilhos nosso de cada dia e lendo uma matéria da Zero Hora sobre o Gre-Nal que irá ocorrer no final de semana. Abri outra página para conferir se havia seriado novo para baixar quando a temida tela azul da morte (do Windows) deu seu ar da graça. Tudo bem, como todo bom libriano, mantive a calma e pensei em voz alta: “é só reiniciar o computador, no máximo entrar em modo seguro para restaurar e a vida continua”. A Titinha, que estava enroladinha no sofá levantou as orelhas e fez um “méeeeeeuu”, como quem concordava comigo.

Pressionei o botão para reiniciar e aí veio o primeiro susto:  tela preta com uma única frase no topo da tela: Operating System not found. Fudeu! Macacos me mordam, e agora José? Respirei fundo, olhei para a Titinha, que seguia dormindo e roncando (não necessariamente nesta mesma ordem) e tentei novamente. E novamente Operating System not found.

Fui trabalhar pensando nas possíveis soluções e já me conformando com uma possível formatação. Fiz umas pesquisas rápidas durante o dia, troquei ideia com alguns colegas e, aparentemente, não era o fim do mundo. E, como sempre, a Lei de Murphy se fez presente: “nada é tão ruim que não possa ficar pior”. Acessei o Bios e o pavor começou a tomar conta: Hard Disk: None. Pronto, meu HD já era.

“… a noite esfriou, o dia não veio, o bonde não veio, o riso não veio, não veio a utopia e tudo acabou e tudo fugiu e tudo mofou, e agora, José?”

Com toda calma que Deus me deu abri o notebook e tirei o HD, dei o assoprão básico nos contatos, coloquei novamente, acessei o Bios e… Hard Disk: None. Teimoso, tirei novamente o HD, acomodei um milímetro mais para o lado, acessei o Bios e… Hard Disk: None. Vamos lá, mais uma vez: tirei o HD, acomodei só meio milímetro para o lado, acessei o Bios e… Hard Disk: 500. Obaaaaaaaaaaaaaa! Nessas alturas já estava feliz por poder formatar o micro.

Fechei o compartimento do HD, liguei o micro e agora a mensagem era outra: Iniciar Reparo de Inicialização (Recomendado). Nem pensei duas vezes e cliquei. Após eternos 10 minutos o computador voltou a dar sinal de vida e iniciou normalmente. Alívio.

E a Titinha? Tá aqui, deitada do meu lado. Fiz um carinho e ela se espreguiçando disse: “méeeeeeeeuuuuuuuuuuuu”!

sexta-feira, 26 de julho de 2013

O pré-conceito nosso de cada dia

“… eu vejo a vida melhor no futuro, eu vejo isso por cima de um muro de hipocrisias que insiste em nos rodear…”

Ouvindo a rádio Itapema-FM, por livre e “momentânea” vontade um refrão me chamou a atenção: “… porque não há tempo que volte amor, como diz a linda canção…”. E, devido a algazarra ao redor, só conseguia identificar este refrão, repetido umas 30 vezes. Em um primeiro momento pensei “putz, o Jota Quest fodeu com a música, se estive morto, o Lulu Santos estaria se mexendo no túmulo”. E o pensamento continuou: “só pode ser música-tema de Malhação e a banda enfiou a frase do Lulu Santos na música para tocar massivamente nas rádios e se promover”. Ou seja, criei toda uma história em volta da música, baseado no que tinha escutado em meio ao “caos”. Mais tarde, ao ouvir com os ouvidos limpos, descobri que quem canta a tal música é o Nando Reis (abrindo um parênteses, a voz de taquara rachada até que é bem parecida com a do Rogério Flausino). Então, assistindo o vídeo percebi que não é bem assim, a letra até que é legal, apesar de ainda achar que ele exagerou um pouco em repetir o refrão.

“… atire a primeira pedra quem nunca atirou… deve ser o que chamam telhado de vidro…”

Enton fiquei pensando no tempo em que eu era fã (de carteirinha) dos Engenheiros do Hawaii e amava as letras do Humberto Gessinger. Quer mais chupação literária de filósofos como Camus, Sartre, entre outros? Ah, mas Engenheiros pode…

E o que dizer dos pré-conceitos que fazemos das pessoas? Quem nunca observou alguém e pensou: “bah, não gostei dessa criatura, parece ser chata” e aí, em um dia chuvoso e sem outra pessoa com quem conversar, tu vai e se aproxima da pessoa (já que não tem tu, vai tu mesmo) e descobre que ela é uma pessoa bacana e tem coisas em comum contigo. É a velha história de julgar um livro pela capa. Pode parecer um chavão, mas é bem isso, volta e meia julgamos pessoas pela sua aparência, uma música pelo seu refrão ou pelo canal em que ela toca e faz sucesso. Putz, e quem sou eu para julgar a novela Malhação quando tenho mp3 do Menudo em meu computador? Bah, me entreguei. Mas são apenas duas músicas tá, e dentro de um contexto e aí têm um significado todo especial.

Mas esta é a vida e nossa realidade. Volta e meia julgamos coisas e pessoas pelo que nos representam, mas em verdade vos digo que não podemos identificar a personalidade de alguém a partir de uma expressão, seus trejeitos ou roupas que usa. Cada um tem seu próprio mundinho e sentimentos. Como já dizia o Caetano Veloso: “Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”.

“Os homens em geral julgam mais com a vista do que com o tato, eis que ver é dado a todos, sentir, a poucos.” MAQUIAVEL

sábado, 20 de julho de 2013

Dia do amigo

Ontem estava concentrado na minha vida de suporte quando, de repente, não mais que de repente, começa a tocar na rádio James Taylor – You’ve Got A Friend. E por alguns momentos fiquei pensando e lembrando de alguns amigos. E a lembrança se estendeu a momentos e fases deste meu andar.

Conheci a música através de uma amiga distante, do tempo das cartas e dos selos (os fortes entenderão). E naquele tempo havia um hábito de trocar fitas cassete (não cara, não exista download nem cd/dvd), onde o vivente gravava músicas de seu pequeno universo e enviava, pelo correio, a um amigo. Na época, eu ouvia, basicamente, rock nacional, sabia da existência do James Taylor, mas nunca tinha escutado alguma música dele. Lembro que adorei as músicas enviadas, mas esta em especial.

E todas estas lembranças me levaram a refletir um pouco sobre o tal Dia do Amigo e o significado desta palavra tão usada (e por que não dizer banalizada?) em nosso dia-a-dia. Afinal de contas, o que é um amigo? Em qual momento um amigo passa a ser considerado um mero conhecido ou até mesmo um inimigo? Ouvi uma frase mais ou menos assim: “ah, tu é meu amigo de segunda à sexta, das 08:00 às 18:00”. Não sei se concordo com essa simplificação. Já tive colegas de trabalho que, apesar do contato estar restrito àquele ambiente, posso seguramente chamar de amigo, pois de alguma forma, através da soma de pequenos gestos (muitas vezes passados despercebidos), se fizeram mais amigos do que outros com quem tinha um convívio maior. E é natural que com o passar do tempo estas pessoas se percam pelo caminho e fiquem somente na lembrança. E nem por isso deixam de ser amigos. Já comentei em outra postagem sobre a tal validade da amizade. E continuo acreditando que amizade dura para sempre, apesar das distâncias e da falta de contato.

Na época das cartas algumas pessoas não entendiam como eu poderia considerar um amigo(a) uma pessoa com quem não tinha contato físico, que nunca tinha visto na vida. Diziam que o papel aceita tudo e que a pessoa poderia inventar mil coisas. Mas poxa, pessoas assim tem em todo lugar e em nossa volta. Pode parecer excesso de romantismo de minha parte ou saudosismo, mas o que eu quero dizer é que eram sim amizades verdadeiras e muita gente daquele universo me conhecia muito melhor que muitos dos meus amigos mais próximos fisicamente. E algumas dessas pessoas são minhas amigas até hoje.

O interessante é que eram amizades inocentes e despretensiosas, que começavam nos classificados de alguma revista ou FB’s e rompiam as barreiras da distância. “Que coisa mais sem graça, pode pensar alguém”… ou então “é muito mais fácil conversar no face”. Sim, é mais fácil, mas às vezes, é mais superficial. Ou não. Quem sabe, talvez… vai saber né. Mas o que eu quero dizer é que escrever uma carta envolve muitas coisas. Que coisas? Primeiro tu tem que sentar, pegar um papel e uma caneta e escrever uma, duas ou mais folhas (e como tinha assunto), às vezes fazer um desenho, depois ir ao Correio, comprar um selo, postar a carta e ficar esperando por uma resposta (que às vezes não vinha). E assim as amizades nasciam e cresciam através das canetas, selos, papéis e carteiros (sim, eles ainda existem).

Garanto que alguém pode estar pensando: “mas que diabos é esse tal FB?”

Os Friendships book, ou livros de amizade, eram livrinhos, feitos a mão, onde alguém colocava seu nome, endereço e, às vezes, idade e interesses e passava adiante por carta. Então a pessoa que recebeu o FB também colocava seus dados e passava adiante. E assim, ao receber um FB com uma lista de nomes, o vivente poderia escolher uma ou mais pessoas e enviar uma carta, se apresentando. Basicamente era uma rede social tupiniquim.

“… é como ficar esperando cartas que nunca vão chegar
não vão chegar com ‘x’ nem vão chegar com ‘ch’
é como ficar desesperado de tanto esperar
é como ficar relendo velhas cartas até a vista cansar…”

(HUMBERTO GESSINGER)  

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Fotografias para deixar qualquer um sem fôlego

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Outro dia falei sobre fotografia e a dificuldade em se capturar algum sentimento nas fotos. Esta foto acima é a que mais me facina e me emociona. Quando vi o quadro na loja Wall Street foi amor à primeira vista. Me arrependo até hoje de não ter comprado na hora, pois era um pôster gigante.

A foto, entitulada Lunch a top a Skyscraper [1932] é famosa no mundo inteiro e foi tirada por Charles C. Ebbets duante a construção do GE Building no Rockefeller Center, em 1932. São onze homens almoçando, sentados sob uma viga, pendurados a centenas de metros do chão  (69ª andar). Abaixo, os mesmos homens aparentemente estão cantando, tranquilamente, na viga.

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Outras fotos que eu adorei foram da construção do Empire State Building. De acordo com a Wikipedia, o prédio de 102 andares e altura de 381 metros foi construído em 410 dias.  As fotos abaixo foram disponibilizadas pela Biblioteca Pública de Nova Iorque e mostra o incrível trabalho do fotógrafo Lewis Wickes Hine (1874-1940). Todas as fotos foram tiradas em 1931, durante a construção do Empire State Building. E de acordo com relatos oficiais, cinco trabalhadores morreram durante a construção.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Céu de brigadeiro sobre nós

Ontem à noite, depois de olhar mais um episódio de REVENGE, comecei a me preparar para ir ao berço e fui recolher os gatos que estavam correndo na grama. E na penumbra da noite uma imagem me chamou atenção: o céu e a lua. Show de bola. Fiquei ali parado só admirando a beleza das nuvens, como se fossem flocos de algodão e a lua passando entre elas. Por um momento fiquei olhando e cantarolando mentalmente: "... um dia me disseram que as nuvens não eram de algodão...". Busquei a máquina fotográfica e tentei capturar o momento. As fotos até que ficaram boas, quer dizer, não tão boas, mais ou menos, mas até que gostei.

Tu já reparaste que raramente a gente consegue capturar o sentimento, a sensação sentida naquele momento em uma fotografia? As fotos do céu ficaram legais, mas não refletem nem de longe o que eu senti ao olhar para o céu. Outro dia fui em um parque com várias cachoeiras e tirei fotos bem legais, mas em nenhuma foto consegui capturar a verdadeira beleza do lugar e nem o que eu senti olhando a água cair nas pedras ou daquele verde sem fim do lugar. Aquela paz de espírito, a calmaria das águas percorrendo seu caminho entre as pedras, o som dos pássaros e dos animais invisíveis ou camuflados no meio de todo aquele mato, tudo isso fica só na memória e quem olha a fotografia não tem nem noção disso e nem pára para pensar ou refletir.

Talvez seja falta de talento, não saber configurar devidamente a máquina fotográfica,  não conseguir pegar o ângulo ou luminosidade ideal ou então o ambiente não estar na CNTP (taí uma cousa que jamais esqueci das aulas de química: Condições Normais de Temperatura e Pressão – valeu professor Ivo). São tantas variáveis que eu até me perdi nos pensamentos e não lembro mais o que ia escrever… hehe.

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Mas é isso, o olhar frio da lente da máquina capta apenas parte de um cenário, uma imagem nua e crua sem levar em consideração todo o contexto ou então a história que por ventura possa ter por trás da fotografia.

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sábado, 20 de outubro de 2012

“Amanheceu, peguei a viola, botei na sacola e fui viajar...”

Esta semana iniciou de forma interessante. Reza a lenda que os melhores passeios são aqueles que fazemos meio que no improviso, de uma hora para outra. E assim foi a ida para a terrinha. Estávamos planejando ir para Ijuí na sexta-feira, mas a previsão do tempo anunciava chuva para aquele final de semana, enton resolvermos ir na madrugada de segunda-feira mesmo.

Confesso que foi meio sinistro andar pelas ruas da cidade, uma sensação de novidade misturada com nostalgia e uma pitada de saudade. Muita coisa mudou na paisagem desde que fui embora, nos idos anos 90. Paisagem que mudou sem mudar. Sabe quando tu trocas os móveis de lugar e fica a sensação de mudança, mas no fundo nada muda? São os mesmos badulaques, mas em lugares diferentes. Esse foi meu sentimento. Inventaram algumas rótulas nas esquinas, o Brendler não é mais Brendler, a escadaria da Praça da República ganhou rampas de acesso para deficientes (boa sacada!) e a casa Jost ainda vive, assim com A Boa Compra. Fui ver pessoalmente a casinha de madeira que eu morava e é verdade mesmo: ela está de pé! E também fui ver onde meu pai morava – ...eu parei em frente ao portão/ nenhum cachorro me sorriu latindo... – e fiquei feliz em ver que o pé de aritcum ainda está lá, solitário, mas firme.

E à medida que eu passava pelas ruas, flashes da adolescência surgiam na mente. Inevitável. E mesmo assim não me senti em casa, pelo contrário, me senti meio fora da casinha, sem saber bem para onde ir. Eu era o típico cachorro que caiu do caminhão da mudança. Estava tão ansioso para ir, mas a ansiedade foi maior para voltar. Até porque nossos gatinhos estavam sozinhos em casa, trancados.

Mas valeu pelas pessoas que revi, o abraço na minha mãe, pelo passeio em si e a comilança na casa italiana, no parque da ExpoIjuí. Sei que é pensamento de nhonho, mas se Deus fez alguma cousa melhor que comida guardou para ele. Tá, antes que alguém conteste sexo também é muito bom, mas isso é melhor conversar a dois, se é que tu me entende... rs.

Ah, e a previsão do tempo que era de chuva? Bom, na sexta-feira fez o sol mais lindo dos últimos tempos... coisas da vida.