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E a inocência já era...

 
Uma das minhas várias manias é a de observar as pessoas, ver suas expressões, sentir suas angústias ou alegrias e a partir daí criar meus conceitos, imaginar suas vidas, se estão felizes ou tristes. Se estou certo ou não, pouco importa, pois é um sentimento que guardo para mim, são coisas da minha imaginação e da minha cabeça. Acho legal ter esse “dom” da observação e de perceber certas coisas que muitas vezes passam batidas. Pode até parecer estranho, esquisito, sei lá, mas de certa forma isso me traz certo fascínio. É um assunto que me desperta interesse. E ao mesmo tempo me entristece, pois vejo coisas acontecendo e que não posso mudar. Dá um sentimento de impotência ver a vida seguindo um rumo e saber que não tem volta. Pior, não saber onde vai parar.

Outro dia estava conversando com um amigo no MSN e ficamos relembrando nossos bons tempos de Ruyzão e dos momentos que tivemos juntos. E depois disso fiquei viajando no tempo, relembrando os brinquedos e brincadeiras. Tive uma infância pobre e apesar de ter passado por várias situações tristes me considero privilegiado: cresci acreditando no Papai Noel e no Coelhinho da Páscoa e vivi toda aquela magia e pureza que somente as crianças conhecem. Aliás, na Páscoa, meus pais escondiam nossos ninhos e diziam que era coisa do coelhinho. E eu acreditava. E me sentia feliz. E mais, me sentia gratificado com o pouco que ganhava. Brinquei de esconde-esconde, joguei futebol em um “campinho” cheio de árvores ou cheio de buracos, com bola de verdade ou feita de pano, andei de bicicleta (eu mesmo consertava a bicicleta quando estragava ou então pedia ajuda a um amigo), tive amigos de verdade, briguei na escola, apanhei, bati, corri e no dia seguinte estava tudo bem. Os nossos conflitos eram resolvidos na hora, olho no olho e não com difamações no Orkut ou outra coisa do gênero. Sabia a diferença entre certo e o errado. Cresci respeitando os mais velhos e, principalmente, meus pais.

Voltando às minhas observações e esse é o ponto onde quero chegar, é que há tempos venho percebendo algo triste: as crianças de hoje são infelizes e não sabem. Nunca saberão, pois roubaram sua infância e não foi o lobo mau nem o bicho papão. E pior, levaram junto sua inocência e todo encanto de ir descobrindo a vida aos poucos, no seu tempo certo. E quando a gente perde isso, perde tudo.

E com isso, a maioria das crianças não conhecem limites nem recebem uma educação moral correta e pior, não tem mais os “heróis” em quem se espelhar. Entenda-se por herói, primeiramente nossos pais, professores e aquelas pessoas que nos serviram de exemplo enquanto nosso caráter era formado. Quem são os heróis de hoje? Aqueles que participam do Big Brother? O ator ou atriz de novela que banaliza o sexo de tal forma onde tudo é normal e permitido?

Estou exagerando? Não sei, talvez, mas da próxima vez que for ao shopping, observa o comportamento das crianças. Não existe mais aquela pureza que tínhamos antes. As menininhas estão todas maquiadas, com roupas da moda, sensuais e os meninos também. Aliás, muitos nem dá pra saber se são meninas ou meninos. Pode me chamar de velho, mas não consigo aceitar e achar normal uma criança ter certas atitudes.

Mas não quero entrar no mérito da educação ou do sexo. É algo que não aceito e pronto. Quero falar da infância, dos brinquedos e das brincadeiras. A verdade é que a infância que vivi não existe mais se perdeu em algum lugar pelo caminho. Nada contra vídeo game ou computador, até acho legal jogar de vez em quando, mas onde foi parar aqueles jogos de tabuleiro? Ah, mas jogar no computador é muito mais “emocionante” do que jogar xadrez, War ou jogo de botão. É mesmo? Bom, estes jogos eu jogava com meus amigos, reuníamos uma galera na casa de alguém e passávamos horas juntos, onde indiretamente aprendíamos a nos socializar e desenvolver o raciocínio. Estes jogos me deram amigos e não meros contatos.

Bom, talvez esteja ficando velho mesmo, vai saber né... Mas eu ainda prefiro a infância que tive com todas suas limitações, pois aprendi várias lições que carrego comigo até hoje. E me sinto feliz por ter acreditado no Papai Noel e vivido todas aquelas fantasias que toda criança deveria ter.

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