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Manhãs de domingo

Manhã de domingo, véspera de mais um GreNal, sol, frio, chimarrão e silêncio. A casa dorme. O Iron está dormindinho no meu colo e a “televisão” apresentando o programa Globo Rural. Não sou fazendeiro, não moro em uma chácara nem tenho qualquer tipo de criação, nem uma simples horta. Mas mesmo assim gosto de assistir ao programa, assim como gosto de chimarrão. É como se fosse um ritual, faz parte do meu ser.  E adoro o silêncio das manhãs de domingo, são os momentos que trazem paz de espírito, calmaria.

Nesta semana recebi um PowerPoint com fotos antigas de Porto Alegre. E uma foto me chamou a atenção. Nela aparece um cidadão com a calça “remangada”, caminhando tranquilamente pela rua (talvez não tão tranquilo assim) seguindo seu rumo. Mais um anônimo na multidão. O ano era 1941. Obviamente não vivi esta época, mas sinto certa nostalgia daquele tempo. Sei lá, pode parecer bobagem minha, mas a impressão que eu tenho é de que naquela época as pessoas viviam mais, não no sentido de tempo de vida, mas sim qualidade. Com certeza havia um maior contato entre as pessoas, até porque eram “tempos difíceis”, limitados tecnologicamente.
Admito que hoje não imagino minha vida sem a Internet, mas mesmo assim gostaria de ter vivido aquela época, mesmo que por alguns instantes.E se fosse eu caminhando naquela rua, de chapéu e tudo? Estaria indo à redação de algum jornal, onde trabalharia como editor ou cronista. E o tema da coluna seria a nostalgia do século passado, onde a vida deveria ter sido melhor, sem as máquinas de escrever, onde as colunas eram escritas com penas e tintas, à luz de velas ou lampiões. Ah, e com certeza na Porto Alegre daquela época não tinha enchente e o Mercado Público não estaria debaixo d’água (suspiro). Coluna esta que iria datilografar na minha Remington, sem saber que a Remington desenvolveu sua primeira máquina em 1873. Lógico, onde eu iria pesquisar isso? No Google?

O sentimento que fica é que à medida que a tecnologia avança as pessoas vão sentindo falta daquilo que viveram no passado. Putz, hoje eu converso com meu colega, que senta à minha frente, pelo Talk. É o fundo do poço, o sinal do fim dos tempos. Mas ao mesmo tempo posso conversar com meu amigo que mora lá na “Conchinchina” e seguir baixando meus seriados e filmes.

E assim a vida segue seu rumo, sempre em frente, pelos seus tortuosos caminhos.

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