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Somos o que há de melhor, somos o que dá pra fazer...

  Cara, e o Mutly? O Mutly era sinistro, muito sinistro. Gente boa ele, mas, como todo mundo, tinha seus defeitos. Um deles era não saber perder ou ficar para trás. A minha impressão, na época, era que a vida dele era uma eterna competição. Não sei se acho isso legal, mas enfim... Conheci o cidadão no 2º ano e confesso que me aproximei dele por interesse. Tá, é feio, eu sei, mas aconteceu, fazer o que? Ele conhecia uma pessoa que eu queria conhecer também, e, no auge da minha timidez, vi ali uma oportunidade. Bom, tivemos uma amizade legal no início, um ia na casa do outro, às vezes jogávamos futebol, war, botão. Mas esse negócio de competição começou a me incomodar. No futebol, quando ele estava perdendo, apelava à violência ou então começava a errar cada vez mais e ficava brabo, e a gente ria e ele mais brabo ainda... E era sempre assim. Lembro de uma prova de português (nunca fui bem nessa matéria, sempre passava com os pelinhos na cerca) e, nessa prova, fiz a redação, interp...

Canção para uma valsa lenta - Mário Quintana

  Minha vida não foi um romance... Nunca tive até hoje um segredo. Se me amas, não digas, que morro De surpresa... de encanto... de medo...   Minha vida não foi um romance Minha vida passou por passar Se não amas, não finjas, que vivo Esperando um amor para amar.   Minha vida não foi um romance... Pobre vida... passou sem enredo... Glória a ti que me enches a vida De surpresa, de encanto, de medo!   Minha vida não foi um romance... Ai de mim... Já se ia acabar! Pobre vida que toda depende De um sorriso... de um gesto... um olhar...

As Nuances de um Rosto

  O palco já estava montado. Na primeira fila ela aguardava com certa ansiedade. As cortinas vão se abrindo lentamente sob uma penumbra cinza-azul-escuro. No ar, um sentimento de nostalgia, uma sensação de que as coisas já não mais seriam como antes. Seus olhos pretos estavam fixos em um ponto qualquer, sua imaginação e lembranças voavam ao longe... As luzes apagam-se por completo, envolvendo a todos com uma escuridão sinistra. Medo e suspense pairam no ar. De repente, um holofote aponta para o canto inferior, à esquerda: há um corpo caído, sentado junto ao canto. Lagrimas caem dos seus olhos. Ele encara as pessoas com seus lábios trêmulos, machucados, vermelhos de sangue. Morde outra vez os lábios. Enxuga as lagrimas e levanta-se... O show deve continuar! Estufa o peito e uma coragem nunca experimentada antes com toda essa intensidade lhe invadem a alma. Ele fez sua parte... Bem? Mal? Isso pouco importa agora. Ele fez sua parte e ponto final. Após baixarem-se as cortin...

Qual é a pior droga?

  Fiquei me fazendo essa pergunta ontem, aliás, já me fiz várias vezes esse questionamento. Não tenho experiência para dar uma resposta definitiva, mas em minha opinião o álcool é disparado, a pior de todas. Seu efeito é devastador, não só para quem usa, mas acaba afetando toda família. Acaba com tudo. Todos sofrem. Infelizmente o que aconteceu com o David Coimbra não é exceção, aliás, exceção é uma família que não ingere álcool. Ah, mas eu só bebo socialmente. Sim, e daí? Para muitos é o suficiente para alterar o comportamento ou então causar um acidente, afetando inclusive pessoas inocentes. Posso parecer meio radical, mas meu pai era alcoólatra e eu vi de perto todos os efeitos que a bebida causa na vida de uma pessoa. Meus pais separaram quando eu tinha 10 anos e naquela época meu pai já bebia “socialmente”.  Na verdade era um pouco mais que socialmente, às vezes muito mais. Menos mal que ele não era uma pessoa violenta, pelo menos eu nunca vi ele agindo dessa maneira....

Certa noite de chuva - David Coimbra

Chovia muito no último dia em que vi meu pai. Eu estava com oito anos de idade e padecia na cama com 40ºC de febre. Amígdalas. Meus pais tinham se desquitado havia já alguns meses. Eu, meus irmãos e minha mãe morávamos num apartamento de um quarto na Assis Brasil. Ele foi nos visitar e deparou comigo tiritando sob a coberta. Lembro com nitidez daquela noite, dele parado à soleira da porta do quarto, de pé, olhando-me, e minha mãe ao lado, com o papel da receita do médico na mão. Ele tomou a receita e ofereceu-se para ir à farmácia. Deu as costas para o quarto, mergulhou na escuridão do corredor e foi embora. Nunca mais o vi. Logo depois ele se mudou para outro Estado, no Centro-Oeste, e lá construiu o resto da sua vida. Um dia de 2001 alguém me disse: - Teu pai morreu ontem. E eu não sabia o que sentir. Não conto essa história com ressentimento. Porque acho que entendo o que aconteceu com meu pai, naquela noite de chuva. Ao sair do apartamento, ele de fato tencionava comprar o...

Meus bons amigos

Responda rápido: quem é teu melhor amigo? Tic tac tic tac... pensou? Eu sim e não me veio ninguém à cabeça. Tá, marido/mulher não conta. Nem animal de estimação. É triste isso. Já escrevi outro dia  que após várias mudanças acabei perdendo minhas referências e os novos  amigos passam a ser colegas. Lógico, existem exceções, mas de um modo geral é por aí mesmo. Mas nem sempre foi assim. Meu primeiro melhor amigo foi o Luciano, colega de aula, na 3ª série. Era uma pessoa bacana, até que um dia aprontou uma... Putz, eu tinha 7 ou 8 anos e nunca esqueci. Como tem coisas que marcam a gente né? Bom, aí fui morar em Campo Bom e conheci outra pessoa legal, o Paulo, mais conhecido como “Batata”. Voltei pra Ijuí e aí sim fiz amigos de verdade, amigos de fé que nunca saíram do pensamento. O Marcelo Nunes foi um deles. Eu estava na 5ª série e cheguei no Ruizinho no meio do ano e o cara me deu a maior força. Outra grande amizade foi a do Edson Dessuy. Fomos colegas de aula, vizinhos e gr...

Tatuagem - Paulo Sant'Ana

  Descobri em mim há pouco tempo uma capacidade: eu estou apto para todos os encontros. Se, como disse o Vinícius, a vida é a arte do encontro, então eu sou um artista. Mas eu contrariaria o grande poetinha, afirmando que a vida consiste também na arte da despedida. Porque muitas vezes um novo encontro depende vitalmente de uma anterior despedida. E eu não tenho nenhuma aptidão para as despedidas, daí porque sinto-me incapacitado para a vida. Ninguém que não conseguiu despedir-se é capaz de encontrar-se novamente. Todo encontro é sempre informal, não o presidem quaisquer compromissos, nem o sucesso dele próprio. Já as despedidas, estas são solenes e formais, pesadas, derrubadoras, repletas e gritantes, de fracasso, até mesmo as despedidas agradáveis, imaginem as indesejáveis. Livrem-me de todos os adeuses, até mesmo porque todos são hipócritas, ninguém pode separar-se daquilo ou de quem já amou, mesmo que não ame mais. Mais atroz que uma chacina será então um adeus ao que aind...

Cavalos selvagens não existem, apenas o símbolo de liberdade...

Ontem assisti o filme 7 Homens e um Destino... “- Mas que filme é esse?” alguém pode estar se perguntando. É um clássico de 1960 e antes que alguém pergunte: - sim, o filme era colorido e não, não era pastelão. O gênero é faroeste e a história é bem legal. Sente só o elenco: Yul Brynner, Eli Wallach , Horst Buchholz , Steve McQueen e Charles Bronson. Nem sei quantos deles ainda estão vivos... hehe. Eu já havia assistido quando criança, meu pai adorava esse tipo de filme. Não é meu gênero preferido, mas gostei de rever, não só pela história em si, mas pelas lembranças que isso trouxe. É tão estranho como, às vezes, um cheiro ou um gosto nos trazem lembranças da infância, momentos que vivemos ou então pensamos em pessoas que pareciam perdidas em uma lembrança qualquer, lá no fundo do baú. E enquanto eu assistia as cenas na tv, passava um outro filme em minha mente, ora com imagens de minha vida, ora imagens de outros filmes.  que assisti quando criança, em uma tv antiga, preto e bra...

“Chame de geléia a schmier geral”

Olá! Voltei ao som da banda Pouca Vogal. Enquanto formato meu note vou assistindo o DVD deles. Já havia assistido ontem (fazendo outras coisas ao mesmo tempo – tô falando, a gente não saboreia mais a música).   Bom, não vou comentar sobre o dente de ouro do Humberto (na minha modesta opinião é ridículo), irei me ater às músicas. Não sei por que, mas adorei a música NA PAZ E NA PRESSÃO desde a primeira vez que ouvi (está tocando agora). “ Acima de qualquer radar eu vou, aonde ninguém mais possa me achar” , canta Humberto, com um sorriso de aparente satisfação. E não é somente esta música, o disco em si tem uma sonoridade interessante, as letras são boas e talvez seja somente uma impressão minha, mas o Humberto parece estar mais leve e cantando com mais vontade , talvez até com mais satisfação, tanto é que as músicas fluem de uma forma mais natural. Para mim, o som lembra mais Cidadão Quem que Engenheiros do Hawaii. Abre parênteses: há tempos que Engenheiros perdeu sua identidade,...

Saudosos anos 80...

“... e tudo ficou tão claro, o que era raro ficou comum como um dia depois do outro como um dia, um dia comum...” HUMBERTO GESSINGER   Há pouco estava eu tomando meu banho e pensando naquilo que escrevi outro dia sobre a diferença das músicas de épocas passadas, mais especificamente, dos idos anos 80. Foi uma viagem no tempo, lembrei de quando era fã dos Engenheiros do Hawaii (de carteirinha e tudo) e uma cena não sai da cabeça, está tão viva que é como se fosse hoje. O ano era 1989 e eu estudava, ou melhor, ia à aula à noite. Bom, estava eu na sala de aula, já devidamente acomodado em minha classe, quando o Jeferson abriu um pouco a porta e me chamou, mostrando algo: “- Humberto, Humberto, olha isso...” (meu apelido era “Humberto”). E o cara estava segurando disco ALÍVIO IMEDIATO, que mal havia sido lançado. Grande coisa, alguém pode estar pensando. Mas para quem é fã não tem como descrever a sensação. Sei lá, é como marcar um gol, aos 45 minutos do segundo tempo, valendo o t...

Legião Urbana: uma viagem no tempo

Dias atrás eu e um amigo estávamos conversando quando, em um salão ao lado, começou a tocar a música TEMPO PERDIDO , da Legião Urbana (ou seria do Legião Urbana, nunca sei qual é o certo, enton vou revezando, às vezes escrevo de um jeito, às vezes de outro e a vida segue seu rumo...).   Mas como eu ia dizendo, tocou a tal música e não é que o cidadão não conhecia?! Fiquei indignado! Xinguei até: “pô, como tu não conhece Legião Urbana? Em qual país tu vive?”. Na verdade ele até conhece Legião, ou melhor, algumas músicas da Legião (ou seria do? Ah, não importa). Fiquei pensando nisso e o fato é que o cara não tem obrigação nenhuma de conhecer Legião, afinal de contas, ele nem era nascido naquela época. O que de certa forma é uma pena, não que seja bom ser “velho”, mas a década de 80 e início dos anos 90 foi em minha opinião, a mais rica musicalmente, sem sombra de dúvida. É covardia comparar as bandas de hoje com as daquela época. Tá me chame de saudosista, me acuse de viver no p...

A casa dorme

Olá! Bom dia!   São 5:30 da manhã, a casa dorme e eu aqui escrevendo e tomando meu chimarrão. Na verdade não queria estar aqui, estou com um pouco de sono e queria estar na cama, babando no travesseiro. Venho de duas noites mal dormidas e, por conta dessa gripe, cá estou eu novamente sem dormir direito. Acho que não tem coisa pior que gripe com tosse, febre, dor de cabeça e de garganta né? Incomoda todo mundo, até a Catita (minha gatinha mais nova) acordou. Bom, pelo menos aproveito meu tempo para estudar e configurar o computador. Ah, e ir baixando meus seriados, que, por sinal, estão voltando em novas temporadas. E bem no momento em que estou com provas e trabalhos na faculdade e iniciando um estágio em uma empresa. Como dizia um amigo: “injuuuuuuusto!”. Mas tudo bem, vou salvando os episódios e quando der uma folguinha eu assisto. Vai uma bolachinha recheada? É Negresco... então, esse é meu café da manhã: tomar chimarrão e ir beliscando uma bolacha ou aqueles bolinhos de merc...

Viciados em Computador

  Fonte: Pretinho Básico

Onde estão minhas referências?

No post anterior comentei que estava viajando nos meus pensamentos. Na verdade, estava imaginando o Marcos esperando pacientemente pelo seu campo de botão, e eu aqui, quase na mesma situação, ou seja, ambos distantes da terrinha (a mega Ijuí city) e com vontade de jogar uma partida ou campeonato de botão, mas sem ter companhia.   Bom, esse é o preço que se paga por crescer e colocar o pé na estrada. Saí de Ijuí em 1994 e fui morar em Campo Bom (existe no mapa, viu?!), depois em Novo Hamburgo, Fortaleza e acabei parando em Joinville. E com tanta mudança a gente acaba perdendo, de certa forma, a referência e vez ou outra bate uma nostalgia dos tempos idos e também uma solidão melancólica.   Outro dia eu estava jogando futebol no computador e marquei um golaço, lindo mesmo, digno do quadro Bola Cheia, do Fantástico. Fiquei assistindo o replay e mostrei o gol para a Catita, que estava dormindinho no meu colo (gatinha). Fazer o que né?! São coisas da vida.   Reis das Esq...

Futebol de Botão – Minhas Origens

Há pouco estava lendo o post do Marcos , em seu blog, sobre os tempos, bons tempos por sinal, dos jogos de futebol de botão e, quando me dei conta, estava viajando nos meus pensamentos. Parecia aquela cena clássica dos filmes, onde o passado vem em flash em preto e branco. “Foi um tempo que o tempo não esquece que os trovões eram roucos de se ouvir... cavalgando em martelo agalopado e viajando com loucos pensamentos...” Já havia postado antes que conheci o futebol de botão jogando com meu primo. Não lembro muito bem como foram as primeiras partidas, só que eu e o Flávio adorávamos e, certa vez, pedimos o campo do Jorge emprestado (mas os botões não vieram). E aí entrou o improviso. Minha infância foi humilde e então nossos times eram tampinhas de garrafa, a bolinha era literalmente um botão. Sim, aqueles de camisa mesmo. As goleiras não lembro como improvisamos, mas dava para fazer altos jogos. E assim foi nosso começo. Apesar da simplicidade, era muito divertido. Até que numa noite ...

Ideias para o homem moderno

                      Fonte: Pretinho Básico  

Autorretrato - Kleiton & Kledir

  - Já nasci estressado Com 2 kgs e 100 - E eu, careca e pelado Meio magro também - Não peguei catapora - Não fui me batizar - Vixe Nossa Senhora - Salve Oxalá! - Fui criado na rua Tenho meus pés no chão - Sou do mundo da lua Troco os pés pelas mãos - Tenho medo do escuro - E eu de andar de avião - Sou de Porto Seguro - E eu de Jaguarão   Coisa boa é um amigo Pra poder se encontrar E jogar conversa fora Tu me ensina a viver Que eu te ensino a sonhar E por aí vamos embora - Sou do balacobaco - Eu não tô nem aí - Jogador de buraco - Coleção de gibi - Futebol de areia - Futebol de botão - Caminhada na esteira - Televisão - Tô relendo Bandeira - E eu, Machado de Assis - Sou Flamengo e Mangueira - Vasco e Imperatriz - Sinto frio nos joelhos - Eu, na ponta dos pés - Sou alérgico a pêlo - Tenho chulé     Coisa boa é um amigo Pra poder conversar E trocar figurinhas Tu me ensina a viver Que eu te ensino a sonhar Cada sonho que eu tinha ...